No Outubro Rosa, Estilo de vida e diagnóstico precoce pautam reunião da CDL Mulher RS

Palestra online da doutora Suelyn Signor reuniu integrantes dos núcleos de todo o Rio Grande do Sul

O câncer de mama pode atingir qualquer mulher, inclusive aquelas sem histórico da doença na família, e uma parcela expressiva dos diagnósticos está ligada a hábitos que podem ser modificados. A informação conduziu a palestra da médica radiologista Suelyn Signor no encontro virtual da CDL Mulher RS, ligada à Federação Varejista do Rio Grande do Sul, na manhã de 20 de outubro.

A atividade integrou a programação do Outubro Rosa e conectou coordenadoras e integrantes dos núcleos de diferentes cidades gaúchas. Levar o tema às coordenadoras foi a forma encontrada pela CDL Mulher RS de lembrar que quem cuida de tantas pessoas no dia a dia também precisa reservar atenção para si. “Nós, mulheres, carregamos o cuidado com a família, os filhos, os pais e os colaboradores, e muitas vezes deixamos a nossa saúde para trás. A melhor contribuição que podemos dar à sociedade, para seguir atuando como atuamos, é estarmos saudáveis e sermos exemplo”, destacou a diretora da CDL Mulher RS, Débora Balbinotti Lunardi.

Assim, as lideranças femininas poderão continuar protagonizando duas importantes contribuições para a sociedade, apontou o vice-presidente Marcos Carbone. “As mulheres estão neste movimento por merecimento, porque escolheram estar e porque buscam o seu espaço na história, fazendo diferença nas cidades em que vivem. São exemplos que merecem nosso reconhecimento e apoio”, disse.

O peso das escolhas diárias

Filha de lojista e especialista em radiologia e diagnóstico por imagem com atuação voltada quase inteiramente à saúde da mulher, Suelyn Signor apresentou dados atualizados e casos reais atendidos no último mês. Conforme o Ministério da Saúde, uma em cada oito mulheres pode desenvolver câncer de mama. Os tumores de origem genética e hereditária, que ganharam visibilidade com o caso da atriz Angelina Jolie, respondem por cerca de 10% do total. Já um mapa de evidências publicado em 2024 aponta que aproximadamente 40% dos casos poderiam ser evitados com mudanças em fatores de risco modificáveis.

Entre esses fatores, a médica destacou a obesidade, o sedentarismo, o consumo de álcool e a alimentação baseada em ultraprocessados, como embutidos bastante presentes na mesa do Sul e do Sudeste, regiões onde os índices da doença superam a média do país. Segundo ela, a prática de 150 a 300 minutos semanais de atividade física moderada ou intensa, o equivalente a uma hora de caminhada de três a cinco vezes por semana, reduz em torno de 20% o risco de câncer de mama. “Ser mulher e envelhecer já são fatores de risco. A maior parte dos casos não tem relação com a genética da família, e sim com o estilo de vida, e é sobre ele que temos poder de decisão. Cuidar do peso, se movimentar e comer bem protege contra o câncer de mama e também contra o infarto e o AVC”, afirma a radiologista.

Exames em dia e comparados

A segunda parte da palestra tratou do rastreamento. A orientação é começar a mamografia aos 40 anos nas mulheres de risco habitual e antes disso quando há histórico familiar. Única técnica com redução comprovada da mortalidade pela doença, o exame pode precisar de complemento com ultrassonografia nas mamas densas, em que o tecido glandular aparece claro na imagem e pode esconder nódulos pequenos. Suelyn Signor também orientou as participantes a manter os exames no mesmo local e a levar os laudos anteriores a cada consulta, pois alterações sutis só aparecem na comparação entre um ano e outro.

A identificação na fase inicial, reforçou a médica, permite tratamentos menos agressivos, que preservam a mama e, em grande parte dos casos, dispensam a quimioterapia. Para encerrar, ela retomou a frase que acompanha seus trabalhos de conscientização: “A imagem que a gente cuida é aquela que você não vê”.

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