A Federação Varejista do Rio Grande do Sul manifesta seu repúdio à aprovação do fim da escala 6×1 e à redução da jornada de trabalho sem redução salarial. Uma mudança dessa dimensão não poderia ter sido aprovada sem um debate mais amplo com os setores produtivos e uma análise séria dos impactos sobre as empresas e o mercado de trabalho. Não somos contra a valorização do trabalhador nem contra o direito ao descanso. O que questionamos é uma medida de forte apelo populista, aprovada sem considerar a realidade de quem emprega. No varejo, uma grande rede tem condições de operação muito diferentes das de uma pequena loja. A redução da jornada sem redução salarial pode elevar em cerca de 10% o custo da hora trabalhada, pressionando ainda mais empresas que já operam com margens apertadas.
Estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que os custos de produção podem aumentar em até R$ 267,2 bilhões, com alta de 6,2% nos preços ao consumidor. Já a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que os preços do comércio e dos serviços possam subir até 13%. Outras projeções indicam queda de 3,2% nas vendas e risco para cerca de 640 mil empregos, além de uma perda de R$ 88 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB). A conta não vai fechar. E quem vai pagar é a população. Com custos maiores, muitas empresas terão dificuldade para manter o ritmo de operação. Algumas poderão reduzir equipes; outras terão de repassar despesas aos preços. O trabalhador que deveria ser beneficiado pode acabar perdendo o emprego ou vendo seu dinheiro render menos no supermercado.
Há também consequências para as contas públicas. Se o comércio vende menos e o emprego formal recua, a arrecadação sente os efeitos. A pressão sobre as finanças do país pode aumentar, comprometendo recursos destinados a serviços essenciais e alimentando o risco de mais impostos e juros elevados. Os pequenos negócios merecem atenção especial. Com menos recursos para absorver despesas adicionais, muitos lojistas terão dificuldade para se adaptar às novas regras. Por isso, a Federação recomenda que avaliem desde já os possíveis impactos sobre suas operações e busquem orientação jurídica e contábil antes de alterar as escalas. Uma decisão tomada sem planejamento pode custar caro.
A Federação Varejista do Rio Grande do Sul defende a valorização do trabalhador, mas não acredita que ela possa ser alcançada ignorando a realidade das empresas. Uma medida apresentada como avanço social não pode terminar em mais custos para quem produz e em uma conta ainda mais pesada para quem trabalha e consome.



