Manifesto em defesa do futuro da economia e da sociedade

Na condição de representante dos setores do comércio e serviços gaúchos, do associativismo e, sobretudo, dos interesses coletivos da sociedade, a Federação Varejista do Estado do Rio Grande do Sul traz, com senso de urgência, um movimento de conscientização diante do momento extremamente delicado na economia brasileira. Seus reflexos atingem diretamente os setores produtivos e as famílias do nosso estado e do país.

A falta de responsabilidade fiscal do governo federal mantém os juros em patamares que dificultam qualquer planejamento de longo prazo. Buscar recursos para investir, expandir ou simplesmente manter as operações em dia tornou-se um desafio quase intransponível para negócios de todos os portes, e o mesmo custo do crédito que trava as empresas também aperta o orçamento das famílias brasileiras. Quando essa confiança se abala, o consumo recua, o investimento se retrai e toda a cadeia produtiva sente o efeito. Há ainda a insegurança jurídica revelada por decisões tomadas tanto no Judiciário quanto no Legislativo, muitas vezes sem considerar o impacto sobre a economia real. A recente isenção de impostos sobre compras internacionais de baixo valor, conhecida como “taxa das blusinhas”, permite que plataformas estrangeiras vendam ao consumidor brasileiro sem o mesmo recolhimento tributário exigido do comércio local, tirando competitividade de quem gera emprego e renda no país.

Movimento semelhante ocorre com as plataformas de apostas online, a maioria sediada fora do Brasil, que direcionam parte significativa da renda das famílias para fora do país sem que esses recursos retornem ao consumo interno. São decisões que, ao beneficiarem companhias multinacionais em detrimento do comércio brasileiro, enfraquecem a nossa economia.

Os números atuais confirmam a gravidade do momento. O Brasil registra o maior patamar de inadimplência da história, conforme dados da CNDL e SPC Brasil, com 82% da população tendo a economia familiar comprometida por dívidas. Os negócios inadimplentes alcançaram 12 milhões. No Rio Grande do Sul, em 2025 os fechamentos de empresas saltaram 24%, estabelecendo o recorde de 182.224. Já as falências tiveram alta de 65% em 2025. Mantida essa trajetória, o cenário aponta para um risco real de colapso fiscal e operacional já no início de 2027.

A Federação Varejista do Estado do Rio Grande do Sul conclama a sociedade a exercer seu poder de escolha e sua cidadania, priorizando a defesa da responsabilidade fiscal, da justiça tributária e de um ambiente de negócios seguro e sustentável para o Rio Grande do Sul e o Brasil. O futuro das empresas, dos empregos e das comunidades depende diretamente das decisões conscientes tomadas no presente.

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