Relatório de inadimplência é organizado pela Federação Varejista RS, a partir da base de dados do SPC Brasil
O consumidor gaúcho recuperou o fôlego em agosto, com redução de -2,31% no volume de inadimplentes na variação mensal em relação a julho, índice superior às reduções também observadas nos recortes da Região Sul e do Brasil. Ainda houve crescimento de 11,06% no volume de devedores em relação ao mesmo mês do ano passado. Crescimento, porém, abaixo dos 14,42% observados no mês passado. A tendência também se reflete na capacidade de recuperação de crédito dos consumidores no Rio Grande do Sul, especialmente entre aqueles que deviam valores mais baixos, até R$ 500. Houve crescimento de 6,96% no volume de pessoas que saíram dos registros de inadimplência em relação a agosto do ano passado, abaixo do que foi observado no Sul e no Brasil, mas contrariando o que se via nos meses anteriores. Em julho, por exemplo, houve redução de -1,23% na recuperação de crédito dos gaúchos.
Os dados fazem parte do relatório de inadimplência no Estado, organizado pela Federação Varejista do RS, a partir da base de dados do SPC Brasil. O relatório aponta ainda que, em agosto, em relação ao mês anterior, os gaúchos também acumularam menos dívidas, com variação de -1,67%. Na variação anual, o acúmulo de dívidas teve crescimento de 20,23%, inferior à variação apontada no mês passado, de 24,21%. A maior dificuldade de recuperação de crédito está justamente entre aqueles considerados reincidentes, que já estavam no cadastro do SPC Brasil há 12 meses e seguiram ou os que saíram e retornaram neste intervalo de tempo. Em agosto, 88,97% dos inadimplentes no Rio Grande do Sul eram reincidentes, o que significa crescimento de 24,54% em relação ao mesmo mês de 2025. Em 62,3% dos casos, a dívida é com bancos.
“Os números mostram que o consumidor gaúcho está buscando melhorar essa condição e a sua possibilidade de consumo de crédito, recuperando o crédito através dos acertos com os devedores, principalmente com bancos e cartão de crédito, onde o juro é absurdo, impagável muitas vezes”, avalia o presidente da Federação Varejista do RS, Ivonei Pioner. “Em função disso, fica claro também que muito do endividamento não está ligado a um comportamento inadequado no que tange ao desejo de não pagar, mas, sim, está ligado a uma má programação que foi feita por parte de quem ficou com restrições e agora busca mudar essa realidade, recompondo a sua condição de consumo de crédito”, complementa.
No detalhamento do relatório, é possível observar que o valor médio de dívidas acumuladas por inadimplente em agosto chegou a R$ 5.673,95 (0,8% maior em relação ao que se devia em julho). Em 39,03% dos casos, a dívida acumulada soma até R$ 1 mil. Por outro lado, no momento de quitar suas dívidas, os gaúchos pagaram, em média, R$ 2.898,59, valor 4,8% inferior ao que era pago no mês anterior. Mas não significa que houve redução na recuperação de crédito, já que, em 61,49% dos casos, a recuperação de crédito envolvia pagamentos de até R$ 500, enquanto em julho, eram 52,38%.
A maior parte dos inadimplentes gaúchos (35,54%) acumula dívidas entre um e três anos, enquanto os maiores índices de recuperação de crédito concentraram-se entre aquelas dívidas de até 90 dias (12,35%) e as que se acumulavam entre três e quatro anos (12,04%). A maior dificuldade para retomar o crédito é concentrada entre dívidas de maior prazo, entre quatro e cinco anos (-16,7%).



