Levantamento trazido pela Federação Varejista do RS com dados do SPC Brasil mostra que na Região Sul a variação acumulada de CNPJs devedores no primeiro semestre deste ano, em comparação com 2025, foi muito mais acelerada do que no restante do País
O total de empresas endividadas no país segue em ritmo de crescimento no encerramento do primeiro semestre de 2026, na comparação com igual período do ano anterior. A proporção acumulada de CNPJs devedores, porém, variou pouco entre os dois recortes: 6,80% entre janeiro e junho de 2025 e 6,84% no mesmo intervalo de 2026, alta de 0,5%. Os números constam em levantamento trazido pela Federação Varejista do RS com base em dados do SPC Brasil. Consideradas as dívidas acumuladas por CNPJ, as empresas inadimplentes deviam, em média, R$ 7.031,37 entre janeiro e junho deste ano, valor 2,41% superior à dívida média registrada no mesmo período de 2025.
Na Região Sul, a variação acumulada de CNPJs devedores entre janeiro e junho de 2025 foi de 8,01%, subindo para 9,08% entre os mesmos meses de 2026. Representa uma alta de 13,35% no volume de empresas endividadas nos acumulados dos dois períodos. Dado 26 vezes mais acelerado do que o verificado nos 0,5% de variação nacional. A situação agravou-se neste ano, quando a Região Sul liderou em relação às demais regiões do Brasil as variações mensais de devedores em quatro dos seis meses analisados. O dobro do observado em 2025. No comparativo anual de CNPJs endividados, o maior crescimento foi verificado em junho deste ano, de 16,17%. Em relação ao acúmulo de dívidas, enquanto no País foi observada redução em virtude da maior dificuldade em recuperar crédito, no Sul, a comparação acumulada dos dois períodos mostrou uma alta de 3,08%.
Para o presidente da Federação Varejista do Rio Grande do Sul, Ivonei Pioner, os dados confirmam um movimento que os lojistas gaúchos já sentem no dia a dia. “O crédito ficou mais seletivo justamente para quem mais precisa dele, o comerciante que decidiu não deixar as contas em atraso e agora enfrenta dificuldade para repor estoque ou negociar prazos com fornecedores. Quem consegue manter os pagamentos em dia hoje sai na frente na hora de negociar com bancos e parceiros comerciais”, afirma.
Cenário no Brasil
O perfil dessas empresas devedoras, no entanto, mudou de um ano para o outro, o que pode indicar maior dificuldade de acesso a novas linhas de crédito. O acúmulo de dívidas, quando comparadas as variações mês a mês dos dois períodos, recuou 6,4%. Enquanto os CNPJs devedores acumularam alta de 8,67% no número de dívidas entre janeiro e junho de 2025, essa variação chegou a 8,11% no mesmo intervalo deste ano. Também houve inversão de tendência: no primeiro semestre de 2025, o crescimento do número de dívidas acumuladas frente a 2024 acelerou mês a mês, de 6,29% em janeiro para 10,82% em junho; já em 2026, na comparação com 2025, o movimento foi de desaceleração, com variação de 16,52% em janeiro recuando para 14,97% em junho.
A dificuldade das empresas para deixar a inadimplência também aparece na pesquisa. Em janeiro de 2025, 40,91% dos CNPJs inadimplentes estavam com dívidas registradas havia entre um e três anos, fatia que caiu para 36,49% em junho deste ano. Ao mesmo tempo, se em 2025 o maior crescimento de endividados concentrava-se nas dívidas em atraso entre três e quatro anos, em 2026 esse avanço migrou para o intervalo de quatro a cinco anos.
Em média, cada CNPJ endividado deve a 1,7 empresa. O setor de Serviços concentra tanto o maior volume de devedores, próximo de quatro em cada dez casos, quanto o de credores, em torno de 75%. O levantamento do primeiro semestre revela ainda o agravamento das dívidas do setor agrícola: mesmo representando menos de 1% das empresas inadimplentes, a agropecuária figurou, durante boa parte do semestre, como o setor com maior crescimento de endividados na comparação anual, com variação entre 10% e 15% no período.



