Sucessão em empresa familiar entra na pauta do Encontro da Mulher Empreendedora

Analisa e Andressa Brum, à frente da HappyHouse, são atrações do evento organizado pela CDL Mulher RS, dia 17 de setembro

O universo do empreendedorismo feminino é vasto, incluindo desde quem empreende por necessidade, vocação ou desejo, até aquelas que assumem um negócio familiar. A sucessão de empresas geridas por mães que transmitem o comando às filhas será um dos temas presentes no 4º Encontro da Mulher Empreendedora, que ocorre no próximo dia 17, em Bento Gonçalves, no Dall’Onder Grande Hotel.

O encontro promovido pela CDL Mulher RS apresenta a história de Analisa Brum, fundadora da agência HappyHouse – uma das pioneiras do endomarketing no país, com atuação no país e fora dele –, que divide o palco com sua filha, Andressa, CEO da empresa. Hoje no quarto ano da sucessão, Analisa lembra que mesmo com a larga trajetória da filha dentro da empresa, onde começou a trabalhar aos 16 anos e chegou ao atual cargo aos 27, transformar uma relação de mãe e filha em uma relação também de sócia e líder é exigente. “Quando ela assumiu como CEO já trabalhávamos juntas há 11 anos. E foi somente nesse momento que ela se tornou sócia do negócio. Hoje, mesmo como CEO, as decisões tomadas pela Andressa precisam ser aprovadas por mim como sócia-majoritária. No início, foi bem mais difícil, hoje conseguimos separar melhor as coisas. Porém, sempre seremos mãe e filha”, conta Analisa.

Muitas vezes, nessa trajetória, os papéis de mãe e líder se confundem, comenta a executiva. “Nesses momentos, é importante o acompanhamento e o aconselhamento de uma consultoria especializada em sucessão”, aconselha Analisa. Mas a transição apresentou três desafios principais. O primeiro foi a diferença de trajetória profissional entre as duas: enquanto uma já era reconhecida no mercado, com livros publicados e experiência como palestrante, a jovem executiva ainda precisava construir sua reputação. “Ela teve que provar que era tão capaz quanto eu”, afirma. O segundo obstáculo veio do próprio mercado, que recebeu com descrença a escolha de uma CEO de apenas 27 anos. “Fui vista como corajosa e, até mesmo, inconsequente”, relembra. O terceiro desafio esteve nas diferenças geracionais e nos estilos de liderança. “Eu sou da Geração Baby Boomer, acostumada a uma liderança baseada no comando e controle, enquanto ela, da Geração Y, queria uma liderança mais próxima e humanizada”, conta, dizendo que essa diferença de visões chegou a provocar discussões sobre a prioridade entre o público interno e o cliente.

Para Andressa, a construção de sua liderança passou pelo entendimento de que era preciso desenvolver um estilo próprio, sem reproduzir necessariamente o modelo da mãe. “O mais importante era ter uma base sólida, alinhada aos valores da Happy”, afirma. Para conquistar a confiança da equipe, ela apostou em uma liderança pelo exemplo, buscando conhecer profundamente o negócio, ouvir diferentes opiniões e estudar os temas relacionados à empresa, como comunicação interna, endomarketing, cultura e employer branding. “Eu precisei não apenas entender disso, mas demonstrar esse conhecimento”, conta. Outro pilar foi a comunicação transparente. Segundo ela, a equipe conhece sua forma de pensar, entende as razões por trás de suas decisões e sabe o que esperar de sua liderança. “Isso traz segurança e, acima de tudo, constrói uma relação de confiança na minha liderança.”

Analisa conta que, apesar da transição ser recente, a empresa vem sendo preparada para a sucessão desde o primeiro dia. “Vim preparando executivos que, hoje, são os diretores que apoiam a Andressa no cargo de CEO. Tenho orgulho de dizer que deixei a Andressa muito bem acompanhada”, diz. A mãe elogia as qualidades da filha, principalmente sua determinação. Andressa passou por todas as áreas da agência até assumir como diretora de Operações. “Isso significa que, quando ela foi empossada como CEO, já dominava e liderava a operação. Ela tinha absoluta certeza de que era isso que queria”, conta a mãe.

Porém, mais trabalho do que preparar a Happy para a sucessão foi planejar a empresa para as mudanças de mercado e do mundo. “Um filho, a gente prepara ao longo da vida para que ele seja feliz, mesmo sem saber que carreira ele vai escolher. Uma empresa, a gente prepara para sobreviver e se perenizar”, constata Analisa. Assim, para quem tem uma sucessão pela frente, ela diz que é preciso tempo e respeito ao legado. “Uma sucessão não acontece de uma hora para outra. O processo dura, pelo menos, cinco anos”, afirma, recomendando, ainda, a busca por uma consultoria especializada diante dos primeiros conflitos do processo. E defende que o sucessor deve, primeiro, compreender e respeitar a história do fundador antes de implementar novas ideias, além de preservar a cultura da empresa. “Uma sucessão perfeita é aquela que preserva o DNA e faz a cultura evoluir, sem perder a essência”, opina Analisa.

Além de Analisa e Andressa Brum, o Encontro da Mulher Empreendedora terá palestra de Flávia Lippi, fundadora do Instituto de Desenvolvimento Humano Lippi, e da Manu da Peixaria, que comanda o Bar Divina Providência, um grupo com negócios de peixaria, sushi bar, marketing e push pop sushi. O evento também terá dois painéis, um sobre “O poder da comunidade na construção de marcas e empresas” e outro sobre “A Mulher que Lidera o Novo Tempo”.

Serviço

O quê: 4º Encontro da Mulher Empreendedora

Quando: dia 17 de setembro, às 8h

Onde: Dall’Onder Grande Hotel (Rua Herny Hugo Dreher, 197), em Bento Gonçalves

Quanto: R$ 499,00 (segundo lote + taxas) – vagas limitadas

Informações e ingressos: https://tinyurl.com/jnu2vb82

Programação:

8h: Credenciamento e Welcome Coffee

9h: Abertura

9h30: Palestra “Liderança Feminina na Era da IA” com Flávia Lippi.

10h35: Painel “O poder da comunidade na construção de marcas e empresas”, com Ivonei Pioner, Presidente da Federação Varejista do RS; Débora Lunardi, Diretora Estadual da CDL Mulher; Karoline Lima,  Coordenadora de Relações Institucionais e Governamentais da CNDL; Susana Stroher, Coordenadora do Sebrae Delas RS e Samara Gomes Beretti, Vice-Presidente do Sicredi Serrana.

12h10: Almoço

13h30: Retorno das atividades

13h45: Palestra “Mãe e filha: Os desafios de uma sucessão entre mulheres” com Analisa Brum e Andressa Brum.

14h45: Painel “A mulher que lidera o novo tempo”, com Maitê Dall’Onder (Rede de Hotéis DallOnder); Rosane Fantinelli ( Diretora de Marketing da Tramontina); Michele Monaco (Monaco Atacadista) e Débora Lunardi, Diretora CDL Mulher RS – Mediadora

16h: Palestra  “Como vender o seu peixe” com Manu da Peixaria.

17h10: Encerramento, com corte e banda da Oktoberfest de Santa Cruz do Sul

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