Dado da Federação Varejista do RS traz sinal positivo: a primeira queda do ano, em junho
O primeiro semestre de 2026 fechou com a inadimplência em alta no Rio Grande do Sul. No acumulado desde janeiro deste ano, o crescimento chega a 1,42% no número de consumidores endividados no Estado. O valor médio das dívidas também subiu: de R$ 5.264,13 em janeiro para R$ 5.596,36 em junho, alta de 6,3% em seis meses, a um ritmo de cerca de R$ 66 a mais por mês.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, o cenário é mais crítico: o volume de inadimplentes gaúchos cresceu 13,62% em junho. Há um ano, cada inadimplente gaúcho devia, somadas as dívidas, R$ 5.295,01; desde então, o acúmulo médio de dívidas por consumidor inadimplente cresceu 22,94% no Estado.
Para o presidente da Federação Varejista do RS, Ivonei Pioner, os dados infelizmente não surpreendem. “A inadimplência e o momento de dificuldade que estamos vivendo é algo que já vinha se desenhando, com consequências reforçadas pela precariedade das respostas oferecidas pelo Governo, sobretudo nas propostas para a reestruturação da economia, que ficaram muito abaixo do necessário. Isso se traduz agora em números. O modelo econômico proposto pelo governo federal é de desenvolvimento através da concessão de crédito. Como a inadimplência inviabiliza isso, e o juros estão na estratosfera, o Brasil para de crescer e de gerar riqueza. Assim, as pessoas ficam com menos ou sem dinheiro para cumprir com todas as suas necessidades”, explica.
A maior parte dos inadimplentes gaúchos, 39,75%, deve até R$ 1 mil, e em 35% dos casos as dívidas já se arrastam entre um e três anos. O dado reforça a dificuldade de recompor o orçamento mesmo depois da primeira negativação: para Pioner, o problema ultrapassa a simples geração de novas dívidas, já que o acúmulo de pendências antigas prolonga a permanência das famílias nos cadastros de restrição.
Há, no entanto, um sinal positivo no mapeamento. No comparativo mês a mês do levantamento do SPC Brasil, compilado pela Federação Varejista do RS, junho registrou o primeiro recuo do ano: -1,25% no volume de devedores em relação a maio. A retração de junho aparece também em outro indicador: o acúmulo médio de dívidas por consumidor recuou -1,07% no mesmo comparativo com maio. Nos dois casos, a redução no Rio Grande do Sul foi superior à observada nos recortes regional e nacional.
Diante desse cenário, a Federação Varejista do RS reforça o papel do SPC Brasil para além do registro de dívidas. “É uma ferramenta que o empresário precisa conhecer e utilizar, independentemente do segmento onde ele atue”, diz. O SPC Score avalia o risco de cada consumidor a partir do histórico de crédito, permitindo que o lojista calibre limites e condições de venda por perfil, em vez de aplicar o mesmo critério a todo cliente. A rede opera ainda a plataforma SPC Negociar Dívidas, dedicada à regularização de consumidores negativados — caminho tanto para que o consumidor volte a comprar quanto para que o lojista recupere o que tem a receber. “Ter uma base sólida de consumidores com acesso ao crédito é fundamental para o crescimento do varejo, pois isso amplia as oportunidades de venda e fortalece a fidelização dos clientes”, resume Pioner.



