Por Ivonei Pioner, presidente da Federação Varejista do RS
No varejo, existe um recurso mais valioso do que preço, produto ou tecnologia: o tempo do cliente. Quando alguém se dedica a olhar a sua vitrine, entrar na loja ou abrir a sua mensagem, a pergunta que precisa ser feita é simples: o que estamos comunicando nesse momento? Estamos apenas tentando vender ou estamos construindo uma relação?
O consumidor mudou. Hoje, as pessoas querem se identificar com marcas que tenham propósito, personalidade e uma forma mais humana de se comunicar. Por isso, o grande desafio do varejo não é apenas atrair clientes, mas criar conexão e formar comunidades. Criar comunidade significa entender quem é, de fato, o seu público. O que ele valoriza? Por que escolhe a sua empresa? Muitos negócios ainda tentam agradar todo mundo, e esse é um erro estratégico. Quem busca atender a todos acaba competindo apenas por preço e produto, entrando em uma disputa de margens cada vez menores. O caminho está em definir com clareza o seu cliente e entregar valor para ele.
Outro ponto importante é a experiência: precisamos entender e atender melhor os que já chegam até nós. Nesse contexto, ganha força o chamado slow commerce: ambientes mais acolhedores, atendimento consultivo e tempo para o cliente explorar e se sentir confortável. A compra é emocional – e o ambiente, a iluminação, a organização e a linguagem da marca influenciam diretamente nessa decisão.
A tecnologia também é parte essencial desse movimento. A inteligência artificial e o uso de dados permitem entender melhor o comportamento do consumidor, personalizar o relacionamento e tornar a gestão mais eficiente. Mas é importante lembrar: tecnologia só gera resultado quando vem acompanhada de algo insubstituível: o contato humano.
Para o pequeno e médio varejo, a mensagem é clara: em um mercado cada vez mais competitivo, sobreviverá quem fizer sentido para o cliente. Isso significa unir tecnologia, atendimento e acolhimento. O futuro do varejo não será definido apenas por quem vende mais barato, mas por quem consegue criar vínculo, gerar identificação e transformar clientes em comunidade. No fim das contas, não se trata apenas de vender. Trata-se de ser escolhido.



