II Fórum Estadual do Comércio – “Geopolítica e Tecnologia, Impactos Globais, Estratégias Locais”

No painel de abertura do evento, “Geopolítica e Tecnologia, Impactos Globais, Estratégias Locais”, foram apresentadas leituras sobre como as transformações globais e tecnológicas, juntamente com as decisões políticas, impactam a economia. O sócio-fundador da Critério, Cléber Benvegnú, destacou o papel central do comércio na economia e na cultura das comunidades. “Loja é vida”, disse, percebendo que o varejo repercute de maneira rápida os reflexos de tais decisões. Em sua análise, Benvegnú apontou uma captura da formação da opinião pública por visões contrárias ao empreendedorismo e criticou uma ideologização do debate econômico. “No Brasil, o vetor de formação da opinião pública continua capturado por uma cultura anti-empreendedora, burocrata e adoradora das regulamentações”, afirmou. Ele também chamou atenção para a perda de competitividade do Rio Grande do Sul, tema também tratado por outro painelista, o deputado estadual Felipe Camozzato. O parlamentar citou o alto custo logístico no país e do Rio Grande do Sul, onde chega a quase 22% do PIB estadual, defendendo investimentos em infraestrutura, especialmente em ferrovias, além de reformas voltadas à produtividade e competitividade. Camozzato reforçou a ideia de que o principal entrave ao desenvolvimento está no excesso de intervenção estatal e na baixa produtividade. “O maior concorrente do varejista não é a China, é o Estado brasileiro”, opinou.

Já o deputado federal Marcel van Hattem concentrou sua fala na crítica ao ambiente político e institucional brasileiro. Ele defendeu maior liberdade econômica e redução de distorções regulatórias. “O que nós estamos vivendo no Brasil é um momento de distorção completa da realidade por parte daqueles que fazem política”, disse ele, para quem decisões ideológicas e aumento de intervenções estatais prejudicam o consumidor e o setor produtivo. Segundo ele, embora os impactos globais sejam inevitáveis, há como contrapor isso localmente. “Os impactos globais nós não evitamos, mas as estratégias locais são nossa responsabilidade”, comentou.

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