O painel “Reforma Tributária na Vida Real do Varejo”, Conduzido pelo economista e ex-secretário da Receita Federal Marcos Cintra, o segundo painel do evento trouxe um olhar crítico sobre os impactos da nova legislação tributária no comércio. “Ninguém conhece esse monstro que foi criado, que é literalmente um monstro de laboratório porque nós estaremos testando”, opinou. Para ele, há uma insegurança institucional diante das mudanças previstas pela reforma, destacando que muitos dos efeitos práticos do novo sistema ainda são desconhecidos. “Ninguém tem a menor ideia do que vai acontecer na vida real com o sistema tributário atual. A tributação sobre o consumo começa a partir do primeiro dia de 2027 e nós não temos sequer conhecimento da alíquota desse imposto”, criticou.
O economista reconheceu pontos positivos na reforma, especialmente na simplificação da estrutura tributária criada em 1965, que separava a tributação entre indústria, serviços e comércio. Para Cintra, essa lógica perdeu sentido diante da transformação digital e da integração das atividades econômicas. “Hoje é muito difícil separar o que é indústria e o que é serviço. A produção moderna está cheia de logística, tecnologia, engenharia e serviços digitais”, disse.
Por outro lado, ele alertou para possíveis impactos no fluxo de caixa das empresas do varejo, especialmente supermercados e negócios de margens reduzidas. Segundo Cintra, o novo sistema tende a eliminar mecanismos financeiros hoje utilizados pelas empresas entre o recolhimento e o pagamento dos tributos. “Isso vai acabar. E, num comércio de margens apertadas, provavelmente o custo será repassado ao preço final”, avaliou. Ele também abordou os reflexos da reforma sobre pequenas empresas e produtores rurais. Cintra criticou as mudanças envolvendo o Simples Nacional e afirmou que parte das empresas poderá enfrentar dificuldades para permanecer competitiva no novo modelo.



