O possível fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho dominaram os debates do derradeiro painel do encontro, liderado pelo deputado federal Lucas Redecker e novamente por Pasin e Pioner, que demonstraram preocupação com os impactos econômicos da proposta. Eles também criticaram a velocidade da tramitação da pauta no Congresso Nacional. “Não tem condição de implementar neste momento esse projeto”, disse Redecker.
Segundo o deputado, a proposta pode gerar aumento do desemprego, informalidade e repasse de custos ao consumidor. Ele lembrou que pequenos negócios respondem por cerca de 80% dos novos empregos gerados no Brasil e seriam os mais afetados pela medida. “A partir do momento em que tivermos que manter o mesmo salário e contratar novas pessoas, teremos aumento de custo, desemprego ou informalidade”, afirmou. Redecker também chamou atenção para a tramitação da proposta em Brasília. Conforme relatou, o parecer da comissão especial deve ser apresentado no dia 20 de maio, com votação prevista para o dia 26 e análise em plenário no dia 27. “A pauta já está construída”, disse.
Pasin criticou o que classificou como “debate assodado” em um ano eleitoral, dizendo que a proposta tem caráter eleitoral. “Ela é mentirosa”, disse. Para ele, a proposta pode atingir justamente os trabalhadores que pretende beneficiar, já que o aumento dos custos tende a ser repassado aos produtos e serviços. Ele também ressaltou a baixa produtividade brasileira no cenário internacional. Segundo os dados apresentados por ele, o Brasil ocupa a 94ª posição no ranking mundial de produtividade, com geração média de US$ 21,20 por hora trabalhada, abaixo de Cuba, que registra US$ 22,60. “Não faz sentido debater redução de jornada sem discutir produtividade”, afirmou. Já Ivonei Pioner afirmou que a Federação Varejista é favorável à modernização das leis trabalhistas, mas contrária ao formato proposto atualmente. “Nosso partido é o do trabalho, porque é do trabalho que se gera riqueza, que se constrói este país e de onde saem os impostos”, afirmou.
Pioner apresentou dados de estudos discutidos em Brasília e citou experiências internacionais que adotaram redução de jornada. Segundo ele, países que implantaram medidas semelhantes registraram queda de produtividade, aumento do custo de vida e crescimento do desemprego nos primeiros meses. O dirigente destacou ainda estudo da Fecomércio-SP que projeta o fechamento de até 2 milhões de postos de trabalho no Brasil. “O grande prejudicado dessa reforma é o trabalhador”, afirmou.



