Presidente da entidade participou do tradicional fórum de debates Tá na Mesa nesta quarta-feira, em Porto Alegre
Em meio a citações de problemas que travam o desenvolvimento estadual e nacional, como a logística deficitária e os juros altos, o presidente da Federação Varejista do RS, Ivonei Pioner, destacou na Federasul, durante o Tá na Mesa desta quarta-feira (05), uma grande preocupação com o aumento da inadimplência de CNPJs e a necessidade de atualização do Simples Nacional.
No encontro que discutiu os problemas do Estado e do país, reunindo lideranças setoriais de distintos setores da economia, Pioner disse que nunca antes o endividamento dos CNPJs havia crescido de forma tão desordenada. “Isso nunca tinha acontecido. Geralmente, o crescimento do endividamento era de CNPJ e de CPF, agora descolou. Ou seja, temos muitas empresas passando a ter dificuldades para cumprir com seus pagamentos”. Comentou Pioner. O número de empresas inadimplentes no Brasil teve crescimento de 10,28% em julho de 2025 em relação ao mesmo mês do ano passado.
Parte desse cenário, lembrou Pioner, vem da soma da pandemia, das seguidas secas passadas pelo Estado e da grande enchente de 2024. “O Rio Grande do Sul não acabou de ser reconstruído. Aliás, nós não recebemos o recurso que foi prometido e que foi dito que foi enviado pelo governo federal. Hoje, a inadimplência atinge 60% da população economicamente ativa. E isso é uma preocupação muito grande que nós temos como quem olha e concede crédito”, analisou.
A questão da atualização do Simples Nacional foi outro ponto levantado pelo dirigente, principalmente no que concerne a limites, faixas e regras. Esse é o sistema que opera a maioria dos CNPJs do páis. “Essa é uma preocupação muito grande, porque é uma questão estruturante dos pequenos negócios, que hoje representam 85% dos negócios no Brasil”, disse. A entidade trabalha junto com outras, incluindo a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), para elevar o limite de receita bruta anual do microempreendedor individual (MEI) para R$ 150 mil.
Pioner, que também demonstrou preocupações com as bets e com os altos juros de consignados, ambos impactantes na renda e nos sonhos das famílias, manifestou apreensão com a tecnologia. Ou melhor, com o acesso dos pequenos negócios a ela. Nesse sentido, destacou a CDL IA, plataforma de inteligência artificial focada nas demandas do varejo e dos serviços, desenvolvida pela Federação e pela CNDL. “É justamente para ajudar as empresas a dar um salto de tecnologia e gestão nas suas empresas. É a única chance do pequeno varejo, das pequenas empresas competirem, é mudando e trazendo tecnologia para as suas gestões, para que eles sejam mais produtivas, alcancem mais resultados e tenham menos custos”, disse.
O dirigente disse que o trabalho desempenhado pelas lideranças em eventos como o Tá na Mesa é fundamental porque une diferentes entidades em torno de pautas para desenvolver o Estado e o país. “Só existe uma coisa que pode superar as dificuldades, que é o que estamos fazendo: estar juntos. Precisamos estar unidos em propostas, em princípios, e fazer os enfrentamentos necessários para defender a sociedade como um todo, porque é ela que representamos”, opinou Pioner. “O associativismo é o antídoto para a divisão que existe hoje no mundo, então, juntos, nós realmente podemos mais”. Nesse sentido, o encontro fez ainda mais sentido com a proposta que a Federasul lançará no dia 30 de janeiro, chamada Acorda Rio Grande, um mapa de ações em diversos eixos para melhorar o ambiente de negócios e unir o Estado.
Além de Pioner, participaram do painel, sob liderança do presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, os presidentes da CDL Poa, Irio Piva; do Setcergs, Delmar Albarello; da Agas, Lindonor Peruzzo Júnior; do Sescon-RS, Paula Dhamer; e da Federação AGV, Vilson Noer.



