Federação Varejista do RS avalia Desenrola 2.0 e pede soluções estruturais além da renegociação de dívidas

A Federação Varejista do Rio Grande do Sul acompanha com atenção o lançamento do Desenrola 2.0, uma iniciativa relevante para a renegociação de dívidas e para a recuperação do poder de consumo das famílias brasileiras. O Brasil vive um cenário recorde de inadimplência, contexto acompanhado pela Federação Varejista com atenção, não medindo esforços e alertando para possíveis consequências.

Atualmente, são mais de 74 milhões de consumidores negativados, um número expressivo que insiste em não recuar, evidenciando a dimensão do problema. Além disso, o valor médio das dívidas dos brasileiros gira em torno de R$ 4,8mil por consumidor, gerando forte impacto no acesso ao crédito, capacidade de consumo e, logicamente, pagamento dos débitos.

Entendemos, portanto, que programas de renegociação como o Desenrola 2.0 cumprem um papel importante como solução a curto prazo, permitindo que milhões de brasileiros regularizem sua situação financeira mediante descontos e condições facilitadas de pagamento. Destarte, é fundamental reconhecer que o endividamento no Brasil tem caráter estrutural – prova disso é que, após a primeira edição do programa, que renegociou bilhões em dívidas, o número de inadimplentes voltou a crescer, atingindo novos recordes.

Diante disso, a Federação reforça que, embora iniciativas como o Desenrola sejam necessárias e bem-vindas, elas precisam estar inseridas em uma agenda mais ampla e estruturante e analisadas em todas as suas frentes.

Um dos aspectos mais preocupantes nesse cenário é a reincidência, como mostram os dados do SPC Brasil: mais de 85% dos novos negativados em março deste ano já haviam passado pelo cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses, denotando a incapacidade de manutenção da saúde financeira a longo prazo e atestando que o equilíbrio financeiro se mostra cada vez mais frágil, onde um imprevisto é capaz de comprometer o orçamento doméstico. Mais uma vez, reafirmamos que, sem uma reforma estrutural capaz de ampliar a renda real, aliada à educação financeira, o consumidor retornará a esse ciclo de dívidas. 

Além disso, é preciso estimular a geração de renda e o fortalecimento da atividade econômica, criando um ambiente mais equilibrado para consumidores e empresas. O comércio varejista, fortemente impactado pela inadimplência, depende de um ciclo saudável de consumo, crédito e pagamento para crescer de forma consistente.

Nesse mesmo contexto de soluções pontuais, a Federação Varejista manifesta preocupação diante da sinalização do uso do FGTS como garantia ou meio de pagamento no Desenrola 2.0, tendo em vista que o Fundo de Garantia é um instrumento de principal salvaguarda do trabalhador em situações de desligamento e seu comprometimento para a quitação de dívidas pode ampliar a vulnerabilidade das famílias, criando um risco social ainda mais profundo.

A Federação Varejista do Rio Grande do Sul reconhece a importância do Novo Desenrola Brasil como medida emergencial de alívio financeiro. O Novo Desenrola Brasil é uma iniciativa relevante, mas seus resultados dependerão da sua articulação com políticas estruturais capazes de enfrentar, de forma definitiva, as causas do endividamento no Brasil.

Seguiremos acompanhando a tramitação da Medida Provisória no Congresso Nacional e atuando de forma propositiva para o aprimoramento da proposta.

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