Gaúcho melhora sua capacidade de pagar as dívidas em setembro, mas reincidência preocupa

O comportamento do consumidor gaúcho em setembro reforçou a tendência de melhora na recuperação de crédito já observada em agosto. Houve crescimento de 9,93% na capacidade de pagar as dívidas daqueles cadastrados no sistema de inadimplentes do SPC em relação a setembro de 2025. Índice superior ao verificado no mês passado (6,96%, depois de uma série de levantamentos com índices negativos de recuperação de crédito) e também superior ao observado na recuperação de crédito da região Sul (7,65%) e do Brasil (3,95%). É o que mostra o relatório de inadimplência no Estado, organizado pela Federação Varejista RS, a partir da base de dados do SPC Brasil.

O relatório mostra que a maior taxa de recuperação está entre aqueles que deviam até R$ 500 (16,69% dos casos). É justamente nessa faixa que estão 50,82% dos gaúchos que conseguiram pagar suas dívidas em atraso. A maior dificuldade ainda está entre aqueles com dívidas de maior prazo. Houve retração de -13,39% na recuperação de crédito em setembro daqueles que tinham entre 4 e 5 anos. Em média, na soma de todas as suas dívidas, aqueles que recuperaram a capacidade de crédito pagaram R$ 3.461,88, mesmo que a maioria (54,59%) tenha pago até R$ 500.

Os índices observados em setembro mostram também a manutenção da tendência de desaceleração, no comparativo com o ano passado, no volume de inadimplentes no Estado. Houve crescimento de 7,99% nesse volume em relação a setembro de 2025. Em agosto, houve 11,06% de crescimento e, em julho, 14,42%. Os dados, porém, ainda não mostram controle da inadimplência. Na variação mensal, ainda houve crescimento de 3,03% no volume de inadimplentes no Rio Grande do Sul.

Em setembro, cada consumidor inadimplente devia, somadas as suas dívidas, R$ 5.665,24. Em 39,25% dos casos, porém, deviam até R$ 1 mil e, em 34,49% são dívidas acumuladas entre 1 e 3 anos.

Se o relatório confirma uma característica de que a maior parte dos inadimplentes têm entre 30 e 39 anos, quando analisados os reincidentes – aqueles que figuraram no cadastro há 12 meses e continuam ou que saíram e retornaram durante esse período -, setembro mostra uma característica diferente. Um em cada quatro reincidentes têm entre 50 e 64 anos.

O índice de reincidência chega a 89,18% dos devedores gaúchos. Houve crescimento de 16,24% em relação ao volume de reincidentes de um ano atrás. Mesmo com a melhora na capacidade de recuperação de crédito, os gaúchos aumentaram em 17,42% o número de dívidas acumuladas desde setembro de 2025 e, no comparativo com agosto, esse crescimento chegou a 3,91%. Para o presidente da Federação Varejista do RS, Ivonei Pioner, o consumidor tem se mostrado mais preocupado com as contas, mas o cenário ainda inspira desafios. “Embora a melhora na recuperação de crédito seja um sinal positivo, a reincidência mostra que o desafio não está apenas em sair da inadimplência, mas em evitar que o consumidor volte a se endividar. Os dados mostram que a recuperação ainda convive com o aumento das dívidas acumuladas, o que exige atenção”, diz Pioner.

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