Vice-presidente Marcos Carbone representou a entidade no Encontro que reuniu lideranças para analisar o cenário econômico
O crescimento das dívidas entre consumidores e empresas, a migração de recursos do comércio para as apostas online e o impacto das reformas em discussão no Congresso sobre o pequeno lojista estiveram entre os temas levados pela Federação Varejista do Rio Grande do Sul ao talk show Conjuntura Econômica Atual. Promovido como parte da programação da Expo Getúlio Vargas 2026, o encontro ocupou o Salão de Atos da Prefeitura na noite de sexta-feira (9) e reuniu lideranças de diferentes setores para um momento de diálogo e reflexão sobre os desafios e as oportunidades da economia gaúcha. Representando o presidente Ivonei Pioner, o vice-presidente Marcos Carbone, também presidente da CDL Metropolitana, dividiu o palco com Rodrigo Sousa Costa, da Federasul, Domingos Velho Lopes, da Farsul, e Douglas Cenci, da Fetraf-Sul.
Ao apresentar a Federação Varejista, Carbone explicou que a entidade nasceu em 2021 para reunir sob uma mesma estrutura as CDLs gaúchas vinculadas à Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). No Rio Grande do Sul, a base representada soma cerca de 40 mil CNPJs distribuídos por mais de cem municípios. O vice-presidente também resgatou a atuação da entidade durante as enchentes de maio de 2024, quando a campanha Reergue RS levou donativos a mais de 15 cidades atingidas e, em parceria com a Movergs, viabilizou mais de mil kits de móveis para a retomada de pequenos comércios. Outro ponto lembrado, de interesse direto da região Norte, foi o apoio ao asfaltamento da Transbrasiliana (BR-153) no trecho de quase 70 quilômetros entre Erechim e Passo Fundo, uma reivindicação que já se arrasta por cinco décadas.
Endividamento preocupa o varejo
Os números do SPC apresentados por Carbone mostram que a inadimplência deixou de ser um problema restrito às famílias. No primeiro semestre de 2026, a quantidade de CNPJs devedores na Região Sul avançou 13,35% na comparação com os seis primeiros meses de 2025, enquanto a média nacional ficou em apenas 0,5%. O Sul liderou a alta mensal de empresas com dívidas em quatro dos seis meses analisados e, em junho, a expansão anual chegou a 16,17%. Na contramão do país, onde o volume de débitos recuou, a região registrou aumento de 3,08%.
Parte desse quadro, segundo a Federação, tem relação com as apostas online. Levantamentos apontam que 57% dos brasileiros contraíram dívidas depois de começar a apostar, e o país já tem mais de 80 milhões de pessoas com contas em atraso ou nome negativado. A entidade defende a regulamentação da atividade, com limites para a publicidade e cobrança de tributos, e alerta para os reflexos sociais do problema, que alcançam a produtividade no trabalho, a saúde mental e a permanência dos jovens na escola.
Pautas no Congresso
O trabalho representativo da Federação também foi destaque. Sobre a proposta que altera a escala 6×1, cuja votação se aproxima no Senado, Carbone criticou a falta de aprofundamento do debate e apresentou as propostas da entidade para modernizar as relações de trabalho: preservar a Reforma Trabalhista de 2017, tratar os feriados da mesma forma que os domingos, estimular a remuneração vinculada ao desempenho e aplicar a Lei 14.611/2023, da igualdade salarial, sem gerar insegurança jurídica ou custos desproporcionais.
Na Reforma Tributária, que será implementada de forma gradual até 2033, a Federação acompanha a regulamentação em Brasília para que a passagem ao IBS e à CBS ocorra com menos burocracia, cronograma previsível, aproveitamento integral dos créditos e fim da guerra fiscal entre estados. A entidade mantém diálogo com os parlamentares pela aprovação do Projeto de Lei Complementar 108/2021, que prevê a atualização desses valores e atinge diretamente perto de 90% das empresas do comércio.



